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23/05/2010

Allen de Volta!



Assisti ao penúltimo filme de Woddy Allen e o vi de volta a comédia que habitualmente faz. Depois de algum tempo rodando seus filmes na europa(seus últimos 4 filmes), neste em particular, ele retorna a sua cidade, NY, e nos traz mais um filme bem feito e divertido, como nos velhos tempos. Não que os seus últimos filmes não sejam legais também, mas são mais distintos.

Neste filme, Allen opta por não atuar, contudo, o personagem do sujeito excêntrico, intelectual, nervoso, hiperativo, está lá. Interpretado desta vez por Larry David, desconhecido para mim, ator de várias séries de tv americana, e, do clássico Saturday Night Live, nos anos 80.
Ele mantém vivo o espírito que Allen levantava, quando atuava. Em muitos momentos enxerguei o personagem de Woody na figura de Larry, com tanto que já estou habituado com o tipo.
Dessa vez, a história se desenvolve através das aventuras/desventuras por que passa Boris (Larry), um professor universitário de Teoria das Cordas que, em um súbito momento, tem sua vida modificada após um de seus surtos/devaneios o acometer a uma decisão perigosa.



A partir de então, vive a vida se isolando de certa forma das convenções sociais, e passa a ganhar a vida dando aulas de xadrez a crianças "imbecís" - como o próprio personagem diz - chegando a trocar farpas com os pequenos. Muito engraçadas são várias situações criadas, e a forma rabugenta como atua este professor aposentado.





O filme é uma beleza.
Woody Allen continua em forma, e, nos deixa mais um clássico cinematográfico, para aumentarmos nossa coleção hein Rogério! Pensou que ia ficar sem comprar mais nada do mestre?
E fique calmo que ainda estou com o seu dvd de "Interiores"!
Amanhã tentarei me lembrar de devolvê-lo.





Resto do Post

22/10/2009

O E.T., meu Deus, era um homem! (Distrito 9)



Uma raça de E.Ts. em um país africano.

Um filme de Holywood.

Efeitos especiais bem trabalhados.

Cenas de ação bem conduzidas, câmera nervosa.

Sangue e gosmas pra todo lado.

É o novo Blockbuster que estréia nos cinemas brasileiros!

Errado.

Apesar de ter tudo isso que é ingrediente de mais um filme de ficção da área E.T contra humanos, o novo filme de que venho tratar aqui não é nada disso. Na verdade, nenhum outro filme de ficção até hoje se propôs a tantos caminhos arriscados e chegou perto do que Distrito 9, nos cinemas da cidade, conseguiu.

O filme pode ser visto, ou definido, fragilmente como um Carandiru misturado com um Cidade de Deus -Tropa de Elite e isso tudo ainda misturado com um Independence Day - Guerra dos Mundos - Planeta dos Macacos que, incrivelmente, contrariando todos os prognósticos do que pudesse vir a ser um filme assim, tão díspar e singular, deu certo.

A história é “singular”, um grupo de alienígenas chega a Terra, e aqui ficam presos por problemas técnicos. Não tendo para onde ir e não se adaptando as condições sociais locais, criam um certo atrito com a população "humana" e são guiados para um “assentamento” especial, chamado Distrito 9. Tudo isso se passa em Johannesburg.

Alguma relação com o Apartheid?

Alguma relação com a disputa por um lugar próprio, um lugar-nação?

Alguma relação com os excluídos das periferias?

Uma obra de ficção fantástica, um dos melhores filmes de ficção dos últimos anos. Contrariando tudo, não são os E.Ts. os vilões dessa vez. Não é o fim do mundo que está em jogo. É o fim de nossa sociedade, como sistema de castas, onde os excluídos, as minorias, os pobres, os miseráveis não são humanos, não são gente, pelo menos não como nós somos gente! São um outro tipo de gente diferente, por isso nos permitimos aceitar que eles, esse outro tipo de gente, sejam tratados como tal, aceitamos que morram de fome e na miséria, porque eles são assim, diferentes coitados. Aceitamos que se matem, briguem por comida, armas, poder. Aceitamos que sejam mortos por nossas milícias, que nos protegem deles. Simplesmente porque eles não tem valor. Não o valor que temos, eles tem um valorzinho assim, pequeno, pouco menos que um cachorro de estimação, que defendemos quando mal tratado, pobre animal irracional e inocente.

Para eles não estendemos a nossa ética.

São um mal com o qual temos que conviver.

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.


Poema: O Bicho, Manuel Bandeira.




Resto do Post

16/10/2009

Tarantino's Basterds





Uma cena de abertura para ficar gravada na memória, personagens fortes, diálogo afiado, grande diálogo, na verdade, em ambos os sentidos, um crescendo de tensão. É possível ouvir o ranger dos dentes nas poltronas vizinhas, o roer de unhas, grande interpretação do elenco, bem afinado com o diretor, metáforas, mudanças entre closes fixos bem determinados e movimentação de câmeras ao avanço da tensão na cena, plano de fundo vindo à tona, ficamos confusos tanto quanto ao que se passa na história quanto ao que devemos buscar na imagem, de dentro de uma sala procuramos ver o que acontece fora, pela janela, mas não vemos nada, imaginamos o que pode estar se passando lá, bem como imaginamos o que pode vir a acontecer dentro também isso tudo enquanto a cena acontece diante dos olhos. Dessa forma de jogar o espectador já num ambiente frenético é que começa o novo filme de Tarantino, Bastardos Inglórios.

O filme trata de uma visão diferente de retratar os fatos decorrentes na segunda guerra. Até não deveria usar o termo retratar, já que o filme não pretende retratar nada. É uma ficção, livremente baseada nos acontecimentos da segunda guerra, mais precisamente, na França depois da ocupação alemã. Não pretendo revelar nada do filme, apenas atento para o fato de Tarantino estar novamente tratando de usar módulos, como capítulos, da mesma forma que fez em Kill Bill. Interessante também notar novamente os diálogos sempre bem construídos com as cenas, e que antecedem os momentos mais nervosos do filme. Entretanto, esses diálogos que funcionam bem na maioria do filme, pecam por serem muito longos. Não entendi essa insistência de Tarantino, uma despreocupação com o tempo, os diálogos vão se estendendo indefinidamente. Muita coisa poderia ser cortada. Deixando só o que importa. Parecia mais o trabalho de conclusão de curso de meu irmão, um trabalho bonito e muito bem feito mas que pecava na apresentação pelo excesso de detalhes. E neste novo filme, em particular, há um certo preciosismo em alongar demais os capítulos, o filme é em algum momento percebido como longo. Quando o espectador começa a pensar “este filme não chega a um desfecho?” então talvez, alguma coisa não tenha ido bem na montagem. Filmes muito longos tendem a perder a concisão, não é o caso, mas o mesmo fica se prorrogando demais. Coisa que já veio sendo caracterizada pelos anteriores Kill Bill, vol1 e vol2. Quanto ao desfecho, este sim me deixou cabisbaixo. Confesso mesmo que não gostei da solução final. Enfim, para uma obra de ficção que não pretende ser referencia histórica, pode se aceitar qualquer coisa mesmo. Mas em termos de Tarantino, achei mesmo que com todo o descompromisso histórico, o que faltou foi criatividade no final.




Resto do Post

12/09/2009


"Os seres humanos não são mamíferos. Mamíferos tendem a entrar instintivamente em equilíbrio com o meio, enquanto os seres humanos chegam num lugar, destróem tudo e depois precisam se mudar para outro lugar para consumi-lo novamente. Os únicos que fazem isso são os vírus. Seres humanos são vírus. Um câncer..."

"O senhor me ensinou o proposito da vida Mr.Anderson... O proposito de toda a vida é terminar"





"Eu lhe mostro a porta, mas é você que tem que atravessá-la."

"Cedo ou tarde você descobrirá a diferença entre saber o caminho e percorrer o caminho."

" O QUE É REAL?"

"Se cada um parar pra pensar....nada é real...tudo são conceitos impostos pelo homem"

"mas você não está aqui para fazer a escolha, você já a fez, você está aqui para entender porque fez."

Essa é sua vida, boa até a ultima gota.
não vai ficar melhor do que está.
está é sua vida e ela acaba a cada segundo.

Isto não é um seminário
isto não é um retiro de fim de semana
De onde você está agora você não tem idéia de como fundo será
Somente depois de um desastre nós podemos ser ressuscitados
É somente depois de perder tudo que você está livre para fazer tudo

Nada é estável
Tudo está evoluindo
Tudo está caindo aos pedaços

Esta é sua vida, esta é sua vida, esta é sua vida, esta é sua vida
Não ficará melhor do que está,
Esta é sua vida, esta é sua vida, esta é sua vida, esta é sua vida
E está acabando a cada segundo.

Você não é um belo e único floco de neve
Você é a mesma matéria orgânica deteriorando assim como todo o resto
Nós somos todos partes do mesmo resíduo orgânico
Somos todos o lixo que cantam e dançam do mundo


Você não é sua conta bancária
Você não é as roupas que veste
Você não é o conteúdo da sua carteira
Você não é seu câncer de intestino
Você não é seu café com leite
Você não é o carro que dirige
Você não é suas gatinhas fudidas!

Você tem que desistir
Você tem que desistir
Você tem que saber que um dia você morrerá
Até que você saiba disso
Você é inútil

Eu digo, nunca me deixe ser completo
Eu digo, eu posso nunca seja contente
Eu digo, me livre dos meus moveis suecos
Eu digo, me livre da arte contemporânea
Eu digo, me livre da pele clara e dos dentes perfeitos
Eu digo, você tem que desistir
Eu digo, evolua, e deixe os pedaços caírem quando tiverem que cair.

Esta é sua vida, esta é sua vida, esta é sua vida, esta é sua vida
Não ficará melhor do que está,
Esta é sua vida, esta é sua vida, esta é sua vida, esta é sua vida
E está acabando a cada segundo.

Você tem que desistir
Você tem que desistir
Eu quero que você me bata o mais forte que puder
Eu quero que você me bata o mais forte que puder

Bem-Vindo ao Clube Da Luta
Se essa é sua primeira noite
Você tem que Lutar!